De ver-se que a vaidade é um adjetivo oscilante, ou seja, é como uma moeda, logo, pode ser vislumbrada por dois lados. O primeiro é bom, é a vaidade saudável, a vontade de querer se sentir belo, de buscar um ideal, vencer na vida. Poder-se-ia dizer, talvez, que ela é compatível com a dignidade, que é um direito universal, já que todos possuem gostos e talentos próprios e querem satisfazê-los. Vem do amor próprio, do sonho.
Talvez a vaidade seja um pecado que graça sobre toda a humanidade. Tanto que já ouvi várias vezes que ‘se quiser conhecer uma pessoa dê poder a ela!’. E é por isso que é preciso ter muita cautela. Cautela para com os meios para satisfazer a vaidade e para não se ludibriar demais com os luxos que o dinheiro trás. Cautela para com a vaidade e suas diversas dimensões, a vaidade da beleza, do dinheiro, da sabedoria e do poder.
Muito embora tenha sido o primeiro homem a render-se à sua vaidade, Adão não foi o último. É que a vaidade existe também em vários níveis de moderação. Quem assistiu ao filme “O Senhor dos Anéis” se lembra da inquietação que pairava sobre qualquer um que se aproximava do anel. É que aquele que o possuísse seria senhor uno e absoluto de toda a Terra Média. Diante daquele pequeno objeto, olhos saltitantes de desejo brilhavam, e o pior, a mera possibilidade de possuir o anel, causava transformações passíveis de delírios.
Isso tudo me lembra a afirmação muito acertada de Jonathan Swift: "Repetem-nos na escola: 'A vaidade é o prato dos parvos'. Mas os sábios também condescendem em comer dele muitas vezes."

como o conheci e que agora já não existe mais, é doloroso o fim de um símbolo. Ele não